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Notícia publicada no dia 07/07/2015 no Valor Econômico

Setor de saneamento reduz aportes e afeta fornecedor

Nem a maior crise hídrica das últimas décadas, que atingiu o Sudeste e, consequentemente, duas das maiores empresas desaneamento do país - Sabesp e Copasa -, está conseguindo manter as atividades do setor. Apesar de exigir mais investimento para enfrentar as dificuldades de abastecimento, a crise reduz os recursos que entram no caixa das companhias e a percepção de quem tem as estatais como clientes é de paralisia.

A Sabesp já havia anunciado que reduziria o nível de investimentos em 2015 e que daria prioridade para obras em água, em detrimento de esgoto, nos próximos anos. A redução do consumo de água gerada pela crise hídrica reduziu significativamente os recursos das companhias e agravou indicadores financeiros importantes, como de endividamento da estatal paulista e da mineira Copasa.

Mesmo a iniciativa privada está reduzindo o ritmo das obras, relatam os empresários. Ainda que não esteja sob investigação no âmbito da operação Lava-Jato, a CAB Ambiental, controlada pela Galvão Participações, entrou no plano de recuperação judicial da empresa apresentado à Justiça. Segundo o Valor apurou, a companhia de saneamento está implementando um plano de redução de custos para cumprir seus contratos até que seu destino seja definido. A OAS Soluções Ambientais está à venda, com a Aegea já tendo feito uma proposta pela companhia. A Odebrecht Ambiental, informam fontes do mercado, também não tem mostrado muito movimento.

O setor ainda sofre com o ajuste fiscal do governo, que dificulta o acesso a crédito, em uma atividade que depende de bancos públicos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa Econômica Federal. É o caso da estatal paranaense Sanepar, que afirmou que passaria a utilizar mais recursos próprios e outras alternativas do mercado para cumprir seu plano de investimentos.

Até maio, o BNDES desembolsou R$ 414,6 milhões para o setor de água, esgoto e lixo, redução de 14% em relação ao mesmo período de 2014. Em seu último estudo, a Associação Brasileira das Concessionárias Privadas de Serviços Públicos de Água e Esgoto (Abcon) estimou que operadores privados dos serviços de saneamento devem investir R$ 12 bilhões até 2018. Ciente da necessidade de financiamento, a entidade já iniciou conversas com o governo para garantir linhas de crédito.

Para a Saint-Gobain Canalização, a situação das estatais de saneamento é ainda mais preocupante, uma vez que respondem por 80% da carteira de clientes. Apenas 20% corresponde à indústria. O diretor-geral da Saint-Gobain, David Molho, conta que no ano passado a empresa esperava crescer 10%, puxada pelos investimentos do setor público. 'Pensávamos que isso ia continuar e que iríamos chegar à universalização do saneamento no Brasil, mas o que vemos neste ano é que, apesar da continuidade da crise hídrica, esse foco sumiu'. Para Molho, esses investimentos ainda vão acontecer. A pergunta mais difícil de ser respondida é quando. A empresa está operando com cerca de 60% da capacidade instalada, enquanto em 2014 era quase 100%, disse.

O objetivo agora é diversificar a atuação, crescer no segmento industrial e manter a atuação no saneamento básico. Molho admite que em alguns setores, como o automotivo, essa tarefa é complicada. Mas destaca que é possível encontrar áreas de respiro, como em papel e celulose. O foco em clientes industriais é uma alternativa que tem se apresentado para as prestadoras de serviços. Mesmo neste segmento, no entanto, é necessário buscar setores que não estejam anêmicos diante do cenário macroeconômico.

No caso da Nova Opersan, empresa que realiza projetos para tratamento de água e de resíduos, a receita que está entrando neste ano é proveniente de negócios fechados em 2014. Segundo o presidente da companhia, Sergio Werneck, do início da prospecção de um negócio até ele ser iniciado e ter rentabilidade, leva-se de 12 a 18 meses. A estagnação que está ocorrendo em 2015, diz, deve ter efeitos nos negócios da companhia no ano que vem. Por isso, o executivo está buscando oportunidades na indústria que permitam fechar alguns negócios ainda neste ano.

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